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Virtualização


Uso crescente demonstra que, se bem gerenciada, ela promove redução de custos, simplificação e aumento de flexibilidade da TI.

Por melhor que seja uma tecnologia, ela precisa ser aceita pelo mercado para decolar. A virtualização, amplamente reconhecida e usada pela indústria de Tecnologia da Informação (TI) desde a época do mainframe, é um bom exemplo disso. Nos últimos cinco anos, ganhou status de ferramenta necessária à construção de ambientes distribuídos, por conta da redução de custos que promove, quando bem implementada. E vingou, no mundo e no Brasil.

Pesquisa da consultoria IDC realizada entre outubro e novembro com 155 empresas de médio e grande porte no Brasil indica que 42% delas usam virtualização de servidores. E as 48% que não adotaram conhecem o assunto e como funciona. A consultoria Gartner prevê que a virtualização movimentará, em todo o mundo, 8,1 bilhões de dólares em 2013. Este valor corresponde a quatro vezes o tamanho do mercado em 2008, que somava 1,9 bilhão de dólares, segundo a mesma análise. Pode-se considerar que a "versão atualizada" da virtualização contempla, principalmente, três tipos de ambientes: servidores, desktops e armazenamento, embora haja quem fale também de virtualização de redes e aplicações.

A variedade de tipos de virtualização deve-se à importância que esta tecnologia tem para permitir a adoção em larga escala da computação na nuvem (cloud computing). Uma vez que os ambientes se tornem virtuais, os conceitos de Software com o serviço (do inglês Softrware as a Service SaaS) e infraestrutura como serviço (do inglês, infrastructure as a service - IaaS) ganham relevância, reforçando o cloud computing, cuja proposta é a de que os dados fiquem armazenados e sejam acessados de qualquer lugar, a qualquer tempo, e sem que os proprietários saibam exatamente onde as informações estão. "Você compra processamento, armazenamento e rede como se fosse energia e do provedor que oferece a qualidade exigida, dentro do melhor preço", exemplifica o gerente de pesquisas de Enterprise Solutions da consultoria IDC, Reinaldo Roveri.

Virtualização de servidores
A VMWare ainda é a principal fornecedora do segmento, mas, há alguns anos, outras empresas enxergaram o potencial do mercado e lançaram ofertas. Estão na briga empresas tradicionais do setor de tecnologia da informação. Bons exemplos são IBM, Microsoft, HP, Oracle e Novell. Mas há espaço também para corporações como Citrix, RedHat e BMC. "[A entrada de competidores no mercado] valida o fato de que a oportunidade de negócios existe", afirma o vice-presidente e gerente geral da VMWare para a região das Américas, Richard Geraffo.

O potencial, segundo o presidente da RedHat no Brasil, Alejandro Chocolat, de fato existe. O executivo estima que, atualmente, somente 15% do parque com potencial de virtualização é atendido por ofertas dos fornecedores. Fazendo uma conta simples, ainda há 85% para serem trabalhados. "O mercado ainda é incipiente", avalia Chocolat. Mesmo a virtualização de servidores, cuja utilização no mercado é mais madura do que o uso de suas "co-irmãs", ainda pode avançar. O gerente de pesquisas da IDC aponta que, entre as empresas que adotaram virtualização de servidores, 22% das máquinas a utilizam. "A gente vê que as corporações estão atrás dessa tecnologia", diz Roveri.

O Gartner prevê que, em 2013, a infraestrutura para virtualização de servidores atinja receita de 1,5 bilhão de dólares, com taxa composta de crescimento de 11,7%. Especialistas apostam que este avanço virá de duas fontes: aumento na penetração entre grandes empresas e expansão no segmento de pequenas e médias empresas (SMB, do inglês, Small and Médium Business). "Pequenos e médios negódos ainda são imaturos em relação ao uso de virtualização e, por isso, representam um grande potencial para o avanço da tecnologia", confirma Geraffo, da VMWare para a região das Américas.

Virtualização de desktops
Outro manancial para a ascensão do setor é o nascente negócio de virtualização de estações de trabalho. O segmento respondeu por 100 milhões de dólares em 2008 e chegará a 1,9 bilhão de dólares em 2013, de acordo com o Garmer. A Forrester Research indica que o tema já está sob o foco dos executivos de tecnologia da informação, embora sua adoção continue lenta. Pesquisa realizada com 1927 decisores de TI nos Estados Unidos e na Europa, no primeiro trimestre do ano, revela que a virtualização de desktops não está na agenda de Vi das empresas partidpantes.

Por outro lado, é apontada como crítica por 8% delas, de alta prioridade por 29% e de baixa prioridade por 37%. O gerente geral da área de servidores da Microsoft Brasil, Antônio Moraes, avalia que a virtualização de desktops é uma tendênda importante, mas ainda longe de atingir os níveis de demanda do mercado de servidores. O líder da área de Tecnologia da Informação da Accenture, Ricardo Chisman, compartilha a opinião, mas acredita no crescimento rápido nos próximos anos.

"Quem experimenta a virtualização quer usar mais. Provavelmente quem usa em servidores vai começar a experimentar em outras áreas", prevê. Segundo Chisman, uma das variáveis que deve colaborar para essa "popularização" é a investida da Microsoft no mercado, com a inclusão da tecnologia em seu novo sistema operacional, o Windows 7, e também no Windows Server 2008. Iider da oferta de data center da Promon Logicallis, Daniel Domingues, acrescenta que o avanço da virtualização em estações de trabalho está ligado, sobretudo, ao alto custo que as empresas têm com o suporte a esses equipamentos, além do ciclo de vida maior dos PCs virtuais.

"O parque físico tem vida útil de três anos, já o desktop virtual tem vida útil de 10 anos", compara Domingues. A adoção vale a pena, espedalmente, para companhias que têm unidades espalhadas por diferentes países ou localidades. O PC tradidonal exige suporte local e o armazenamento de equipamentos sobressalentes, que possam ser usados para substituir máquinas defeituosas. Já os PCs virtuais dão a corporação o beneficio de prestar suporte à distânda e, no caso de máquinas com falhas incorrigíveis, o helpdesk pode orientar o usuário a pegar um novo computador e substituir o antigo.

"Automaticamente a rede reconhece o thin client. O tempo de resposta do help desk cai", observa Roveri. O que distingue a virtualização de desktops dos terminais burros, usados no tempo da computação centralizada do mainframe O conceito é o mesmo, dizem os especialistas. A diferença é que, atualmente, o custo do hardware é inferior ao valor daquela época e, além disso, a evolução das tecnologias de rede permite que a experiência do usuário ao usar um desktop virtual seja bem próxima à utilização de uma máquina física.

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Publicação: 18/12/09

Computerworld – Magazine

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