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Na contramão do mercado, vagas para Desenvolvedor de Sistemas estão em alta

Um levantamento feito pelo Quero Bolsa, e disponibilizado com exclusividade ao Canaltech, revelou que somente o cargo de Analista de Desenvolvimento de Sistemas teve postos de trabalho criados durante a pandemia, num total de 62 vagas.

A carreira contrariou a tendência já que, de acordo com a empresa, no período de isolamento social, 52,3% das carreiras de ensino superior fecharam oportunidades. No geral, 292.694 profissionais com diploma de graduação foram contratados e 377.726 demitidos, ocasionando num encerramenro de 85.032 posições. Cerca de 39% dos brasileiros com ensino superior estavam sem trabalho no mês de maio, valor alto, porém, abaixo da média geral de 49,8%.

Os Analista de Desenvolvimento de Sistemas também saíram na contramão do mercado de outra forma. Normalmente, as contratações são de salários inferiores aos das demissões. Neste caso, a remuneração média das admissões destes profissionais (R$ 6.886,85) superou em 11,6% o salário dos desligamentos, que foi de R$ 6.168,89. O fato indica, portanto, que o mercado continua aquecido para a posição.

O estudo ainda ressalta que o salário das contratações na área de computação cresceu três vezes mais que a inflação em 2019. No ano passado o salário oferecido aos profissionais da área registrou, pelo terceiro ano consecutivo, reajuste acima da inflação. Em média, as empresas elevaram em 14,10% a remuneração de seus novos funcionário.

Ainda no período, o salário médio oferecido para Analista de Desenvolvimento de Sistemas foi de R$ 5.617,11. O ganho real em relação ao valor projetado pela inflação foi de R$ 445,34, bem acima dos R$ 48,99 registrados em 2018 e R$ 180,63, em 2017.

“A área da computação vive um bom momento e as empresas precisam oferecer salários maiores para conseguir atrair os profissionais”, aponta Pedro Balerine, diretor de inteligência educacional do Quero Bolsa. “O avanço da inteligência artificial, Big Data e Machine Learning alavancou o crescimento do setor e, consequentemente, a demanda pela mão de obra altamente qualificada”, completa.

O número de contratações cresce no mesmo ritmo, foram 60.760 vagas preenchidas, alta de 16,77% em comparação às 52.036 de 2018.

Fora do setor, no entanto, a média de salário caiu no período. Pessoas que antes recebiam, em média, R$ 4.585,00, tiveram a remuneração cortada para R$ 4.075,00 - redução de 11,1%.

Estudos

A pesquisa ainda indica que o interesse dos estudantes em ingressar na área de computação acompanha o aquecimento do mercado. Em 2018 (ano do último Censo da Educação Superior disponível), 143.557 estudantes iniciaram cursos na área - um aumento de 26,12% em comparação a 2017, que registrou 113.825 novas matrículas. No mesmo período, o curso Análise e Desenvolvimento de Sistemas, preferido entre os estudantes, saltou de 51.545 para 80.781, alta de 56,7%.

“O crescimento na matrícula também foi influenciado pelo aumento da oferta de cursos a distância”, explica Pedro Balerine. “Um em cada três alunos ingressantes nessa área, em 2018, optou pela modalidade EaD. Olhando exclusivamente para o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, essa proporção sobe para 44%, quase metade dos novos alunos”, conclui.

Sobre o projeto

O levantamento foi feito pelo Quero Bolsa - projeto que conecta alunos a instituições de ensino e oferece vagas e bolsas de estudo - com base nos microdados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) com análises dos meses de março, abril e maio.

Em um cenário em que apenas 15,7% dos adultos brasileiros concluíram a graduação, segundo dados do IBGE, o Quero Bolsa já gerou uma economia de mais de R$ 1,3 bilhão para alunos do país inteiro. Atualmente a plataforma conta com mais de 6 mil escolas parceiras, 1,6 mil instituições de ensino superior, 2,5 mil de ensino básico, além de mais de 10 mil opções de cursos de idiomas e 50 mil de intercâmbio.


Fonte: Canaltech